segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Amor que se Consome

Aii, que fofo 


 Que se acabem os dias
em noites
como aquela,
Para Giulia.

Eu amo como se o mundo acabasse
Em nada
Nada este que se esfarela no ar
Como poeira cósmica
Que a si mesmo rabisca-se
Por toda essa folha enxovalhada
Folha em branco
Por toda essa preguiçosa vida

Eu amo como se o hoje se afogasse
Neste mar de melancolia
Mar de ócio que flui pelo corpo
Como encorporação remota de nadas e algos
Como uma conivência perpétua de egos
Que jaz no infinito enclausurado

Eu amo como se o ontem consumisse
O ledice em seu torpor
Como sussurros eufóricos que nadam no silêncio
Por que meu arauto é mudo?
Quantas mágoas faz
Desde que você não fala consigo mesma, Giulia?

Eu amo como se a imensidão afundasse
Imaculada, mas morta
Sepultada num universo reduzido
Como num âmago, um pouco quase nada
Mas com sede ferrenha de ser
Eclipsado o mundo e plúmbeo; Eu vejo você

Eu amo como se eu não existisse
Mais em mim
Minha alma agora aludida foge-se
Louca... Para onde vais?
Vais abraçar o Nada divagado
Que esse Tudo me incinera e já não serve...

Eu amo como se eu não mais me tivesse
Sentido
Como se a ofuscante noite emburacada
Enterrasse a poesia, Giulia
Sem ti ela ou eu... morrem num pulso
Por si só termino

Estou acabado em não sei
Eu amo
Como me consumo


Tomaz Civatti

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